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sábado, 15 de janeiro de 2011

Quem manda nessa porra sou eu.


Simplesmente não consigo aceitar que exista algum "ser superior" que tome conta de toda essa bagunça. Afinal, se existisse mesmo alguém onipresente, onipotente e onisciente, o mundo não estaria assim, estaria? E se a intenção desse "ser" é castigar a humanidade, por que ele não castiga a si próprio, por ter criado a maldita humanidade? Não dá pra entender. Não dá pra acreditar na bondade infinita que todos dizem, quando existem tantas coisas que me fazem sentir nojo, pelo simples fato de existirem. Não quero mais chamar de "mundo" tudo isso que não faz parte de mim. Mundo é aquilo que eu crio, onde eu estou presente e onde eu tomo as decisões. E não acredito que alguém possa tomar tais decisões por mim. 
Enquanto as pessoas acreditarem que "Deus" só é bom porque elas são más, elas não estarão amando a nada, e sim encontrando um novo jeito de acusarem a si mesmas. Eu nem me conheci por inteiro e já decidi amar ao contrário, porque ninguém pode me garantir que nós somos os maus da história, ou que somos os bons. Nem mesmo que fazemos parte de alguma história. 
Decidi por inventar meu próprio mundo, com as pessoas que eu quero que estejam nele, porém, do jeito que eu quero que elas sejam. Inventar os cenários, o contexto e os personagens. Transformar minha vida numa enorme peça de teatro. Alguns dizem que eu vivo assim para chamar atenção, outros chamam isso de loucura, mas olha: a vida é minha. Enquanto eu aceitar amar a tudo do jeito que as pessoas querem que eu ame, serei um dado marcado e a minha vida não se fará. Andar por linhas traçadas não é o meu forte. Enquanto eu inventar a minha vida, ela existe. Enquanto eu inventar Deus, ele não existe.


"Você pode ter a fé que quiser, mas se tratando desse mundo, não seja idiota. Porque você pode me dizer que deposita sua confiança em Deus para passar pelo dia, mas quando chega a hora de atravessar a rua, eu sei que você olha para os dois lados."

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O amor em tempos de ceticismo.



"Virou clichê." "Está banalizado." "É mais falado que bom dia." 

Todas as afirmações citadas acima são verdadeiras. O 'eu te amo', que antes fazia revirar os olhos, não passa de um 'eu também' sem a menor graça. Pessoas se conhecem pela internet e, em menos de cinco minutos, já estão se amando pra vida inteira. Não que o amor virtual não tenha valor. Calma. Ainda vou chegar lá. Que o 'eu te amo' já não mais o mesmo valor, todo mundo sabe. A questão é: quando acreditar de verdade nessas três palavras?

Se tem uma pessoa que você pode acreditar quando disser que te ama, essa pessoa é sua mãe. Essa sim vai te amar, mesmo você sendo o chato, irritante e babaca que é, ela vai te amar. Mas não estou aqui pra discutir amor de mãe com ninguém, não é verdade? Aliás, não sei bem o que estou fazendo aqui. Estou fugindo completamente do estilo do blog, mas o blog é meu, escrevo o que eu quiser.

Enfim.

Existe o amor entre amigos. Esse sentimento não precisa te acompanhar desde a infância para que seja verdadeiro. Atenção: tempo não significa amor. Existem amigos que se conhecem a pouco tempo e que já nutrem, um pelo outro, um amor que você não vê entre irmãos. Amigos assim, percebem o estado psicológico, emocional e até físico um do outro apenas pelo tom da voz. Amigos assim sabem a hora de calar para ouvir, a hora de falar para ajudar e a hora de calarem os dois. O silêncio é uma das maiores demonstrações de amor que eu já vi.

Tem o amor entre amigos que nunca se viram pessoalmente, mas a afinidade é tanta, que se algo acontecesse a um dos dois, o outro sairia do inferno para socorrer o amigo que precisa de ajuda. Amizade assim não precisa de um 'eu te amo' para saber que ela existe. E você que duvida do amor entre amigos que só se veem pela tela de um computador, você não sabe o que é se sentir protegido e acompanhado, mesmo estando a quinhentos quilômetros de distância.

"É possível o amor entre duas pessoas do mesmo sexo?" - Claro que sim. É possível e não tem nada de errado nisso. Não vou render esse assunto, pois vão dizer que estou fazendo apologia, enfim. Não quero problemas com homofóbico cheio de frescura.

Chegamos ao mais criticado dos 'eu te amo'. O amor entre homem e mulher, aquele que a gente vê nas novelas. Esse mesmo. Como acreditar quando um homem diz amar uma mulher? Ou vice-versa? Já que todos dizem o mesmo, o tempo todo, fica realmente difícil. O negócio é o seguinte: o amor não está nessas três palavras. O amor está naquela corrente que fica no ar quando dois apaixonados se olham. Aquela coisa quase palpável, que chega a constranger quem olha de fora. Não estou falando de demonstrações públicas de afeto, isso é ridículo. Estou falando da demonstração involuntária do sentimento de um pelo outro, do brilho no olhar, do sorriso besta que aparece por um motivo qualquer. Isso sim é o amor-sem-palavras.

O amor hoje em dia, é sim algo difícil de acreditar, mas a coisa mais simples do mundo é perceber quando ele acontece de verdade. Porque o amor de verdade é tão diferente das farsas que vemos por aí, que fica fácil saber quando ele surge. É isso. Preste atenção nos sinais, não deixe que a falsidade do dia-a-dia te deixe cego para uma das melhores coisas da vida: o amor.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Caminhando sozinha


É por falta de companhia, por opção ou destino mesmo. Irremediavelmente sozinha. Porque quando você acha a maioria das pessoas normais demais, você passa mesmo muito tempo sozinho. Ou quando elas te acham diferente demais, ainda não sei. 
Às vezes penso que meu futuro será sempre pedindo um quarto de solteiro ou uma mesa pra um. Mas eu ainda tenho escolha, e a estrada vazia é sempre a mais atraente. Minha cabeça funciona a um ritmo infernal. É sinceridade demais, intensidade demais e isso assusta. Te assusta, me assusta. Esse conflito comigo mesma, que acontece todos os dias, é confusão demais pra eu deixar que as pessoas se aproximem. Caso haja uma explosão, os estilhaços tem um alcance muito grande. 
Acontece também, que quando se caminha sozinha, qualquer um que pareça ser diferente dessa maioria formatada, qualquer um que tenha um mistério a mais, acaba se tornando irresistivelmente tentador. As portas sempre ficam abertas pra qualquer estranho-parecido que queira entrar e bagunçar o interior de quem caminha sozinho.
O relógio, há muito esquecido, não faz diferença alguma. Os dias passam como horas, as pessoas normais-diferentes vêm e vão tempo todo, sem deixar marca alguma. Insensibilidade. Sempre somos acusados por sermos insensíveis. É que a miséria do mundo não consegue ser maior que a miséria interna, não temos culpa. Talvez tenhamos, mas tudo bem. Falta interesse, falta empatia, falta tudo. Menos o silêncio. Silêncio tem demais, e é bom. 
O amor. É, estava demorando. Mas não há muito o que dizer do amor. É simplesmente uma palavra de quatro letras, que nunca é dita por nós, os que caminham sozinhos. Se te incomoda, não é problema. Talvez seja essa nossa única função. Se você se identifica com algum de nós, puxe uma cadeira e sente-se.

Enquanto nós continuamos caminhando sozinhos.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Estranged


Quando você está falando sozinho, e não há ninguém em casa, você pode se enganar. Mas você veio a este mundo sozinho... sozinho. Ninguém nunca te disse como seria isso, então, o que vai acontecer a você? Acho que nós temos que esperar pra ver.

Velho de coração, mas tenho apenas 28. Sou jovem demais pra deixar o amor quebrar meu coração. Jovem de coração, mas está ficando muito tarde pra continuarmos tão separados. Eu não sei como você supunha me encontrar mais tarde. E o que mais você poderia querer de mim? Como você pode dizer que eu nunca precisei de você? Quando você tirou tudo de mim, eu disse que você havia tirado tudo de mim.

Jovem de coração, mas está ficando difícil de esperar. Quando ninguém que eu conheço pode me ajudar. Velho de coração, mas não devo hesitar se eu encontrar minha própria saída. Continuo falando sozinho, e ninguém está em casa. Quando eu encontrar todas as razões, talvez eu encontre um outro jeito, encontre um outro dia. Com todas as mudanças de estação da minha vida, talvez eu faça certo da próxima vez. 

E agora que você está por baixo, tire sua cabeça das nuvens. Você está de volta ao chão. E você já não fala mais tão alto, e não anda mais tão orgulhosa. Não mais. E por quê? 

Bem, eu pulei no rio muitas vezes pra fazer dele um lar. Eu estou sozinho aqui fora, naufragando completamente sozinho. Se não parece, dê um tempo e leia nas entrelinhas. Porque eu vejo a tempestade se aproximando, e as ondas estão ficando tão altas... Parece que tudo que nós conhecemos está aqui. Por que deveríamos deixar derivar e morrer?

Eu nunca vou achar ninguém pra substituir você. Vejo que terei que superar isso, desta vez, sem você.
Eu sabia que a tempestade estava se aproximando, e meus amigos me diziam que eu estava "alto". Mas tudo o que nós fomos estava aqui, e eu nunca quis que isso morresse...


Axl Rose

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O inevitável


É simplesmente injusto. Caso perdido, daqueles que não se tem a quem recorrer. O único mal irremediável que torna todos os homens iguais. É a única certeza de todo ser vivo. Uma hora se envelhece, e morre. Ou morre sem envelhecer, mas morre. Acho a morte nada demais, na verdade. Como ninguém sabe o que há depois, só especulações, crenças. Não fico me angustiando diante de prováveis ideias sobre o que seja "morrer". Lá a gente vê. Mesmo que 'lá" seja o nada, o silêncio. Pior é pra quem fica, por causa da saudade. Essa é velha conhecida. Comprovada, entranhada na carne e na alma.
O que me irrita, me indigna é a brevidade da vida. Porque é chegar ao ápice, ao cume da montanha, e perceber que dali pra frente é só ladeira abaixo. É aí que mora a injustiça dos fatos. Hoje não cheguei nem a metade da vida de um ser humano comum; mas percebo, sem falsa modéstia que nunca estive melhor. Os pensamentos estão cada vez mais rápidos, os joelhos em pleno funcionamento, os sentidos, o auto-conhecimento. A sexualidade, finalmente inteira. Mais sei do que não sei. A junção entre um pouco de sabedoria e vigor físico.
Antes era só vitalidade, energia, flexibilidade. Com o tempo vem o conhecimento das coisas e si próprio, a segurança. Um belo dia essas duas coisas estarão em um único recipiente, em perfeita alquimia. Mas isso dura apenas o tempo do conhecimento, do saber estar-se completo. Depois disso, deve-se, obrigatoriamente, envelhecer. E, por total impotência diante de uma força que não pode ser parada, devemos aprender a fazer o caminho contrário. Dali pra frente será mais cabeça e menos corpo. Pode-se tomar algumas providências, abusar da tecnologia pra tentar adiar esse momento; mas escapatória, não há.
O aspecto estético não é o que mais me tira o sono - claro que não ficarei feliz ao ver minhas bochechas despencarem do rosto. Mas sempre exercitei o desapego físico, nunca confiei tanto nessa coisa de aparência.       Me incomoda a perda de mobilidade, a dificuldade em amarrar os próprios sapatos, o cansaço, a dependência. A morte em vida, isso me apavora. Querer, eu não quero, e acredito que ninguém queira; mas diante do inevitável acontecimento, só nos resta achar bom. Aprender a desprender, a desmaterializar, a volatizar-se até que só reste a consciência. Um dia seremos todos pensamentos. Ou alma, se preferir acreditar.

É por isso que eu tenho pressa. Sempre urgente e faminta, quero tudo. E quero agora.


Texto adaptado.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Enfim...



E todos os dias ela só desejava que ele fosse feliz. Que ele estivesse se dando bem lá fora, porque ela não estava se dando tão bem num mundo sem ele. Ela já sabia que seria assim, sempre entendeu muito bem. No começo foi difícil, levantar da cama e encarar o dia não fazia sentido, o alimento não chegava nunca ao estômago, e as olheiras iam ficando cada vez maiores. Tudo que ela tinha a oferecer era aquele amor idiota e doentio. E foi tudo o que ele rejeitou. 
Com o passar do tempo, ela já estava se acostumando com a dor. Não que esta tenha diminuído, ela sempre esteve lá, com a mesma intensidade, mas ela aprendeu a conviver com a dor, com a indiferença. A ferida parecia adormecida, ela já não tinha mais contato com ele e pensava que ele não dava mais notícias dela. Até ele aparecer e trocarem meia dúzia de palavras. Pronto. Ele jogou sal na ferida sem a menor cerimônia. Novamente ela se sentia cansada de existir, cansada de tentar sobreviver. Respirar se tornou uma tarefa complicada e dolorosa.
Ela não queria ter olhado aqueles olhos outra vez, apesar de sonhar com eles todas as noites. "Como pode uma pessoa me fazer tanto mal, partir meu coração em pedaços incontáveis, e mesmo assim eu continuar amando-o, com todas as pequenas partes?". A paranóia havia voltado. Ela o via entrando e saindo de muitos lugares o tempo todo, e nunca, nunca era ele. Todo mundo parecia ter um pouco dele grudado em si. Ela mesma, não conseguia se olhar no espelho, pois via a imagem dele, refletida ali. Ela precisava amadurecer, precisava entender que aquela era uma escolha dele. Mas não tinha jeito, ela estava cega e o mundo parecia coberto de uma penumbra leitosa, buscando por luz. 
Ela só tinha duas opções: a dor e a saudade. E a única maneira de vencer esse sentimento, era aceitá-lo, parar de querer ganhar dele. "Mas ela não o amava?" Sim. Talvez para sempre. Mas nem por isso ela voltaria a ser um vegetal por ele. Ela sentia aquele amor ridículo mas não aguentava mais tanta dor. Escolheu, enfim, a saudade. E a saudade entrou com o pé na porta, sentou-se ao lado dela e disse que dali não sairia tão cedo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Insônia

Puta que pariu, quatro da manhã, que calor é esse, eu quero levantar pra ir ao banheiro mas tô com preguiça, vou segurar até o último segundo, cadê minha garrafa d'água que tava  aqui? Deixa eu ver, será que esqueci alguma coisa? Eu sempre esqueço alguma coisa e no final descubro que não era nada tão importante assim. Então por que diabos ainda me importo com isso? Ando com vontade de cortar meu cabelo curtinho, mas sei que não vou fazer isso, hummmmm, é bom dormir com o ventilador ligado, quando se consegue dormir, aquela música que ouvi ontem não sai da minha cabeça, Skeeter Davis - The End of The World, essa música tão tranquila, pelo menos aparentemente, porque nunca se sabe, né. Não tô com fome, mas talvez um leite ajudasse,  posso levantar e olhar pra lua mais uma vez, fumar outro cigarro, a voz dessa mulher na tv só me irrita, mas também, ô mania de dormir com a tv ligada. Quem sabe colocar um som, quem sabe parar de pensar em como é que me desliga, quem    sabe    ler    um    pouco,    quem    sabe   contar   carneirinhosoutalvezimaginarumlugarbonitoumfrontalagoranãoserianadamau

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